
O Cine-Teatro Polytheama é um dos mais importantes patrimônios culturais do município de Goiana, Pernambuco, carregando em sua estrutura mais de um século de história, memória e transformação artística.
Inaugurado em 1914, o espaço surgiu em um momento de efervescência cultural na cidade, quando o cinema começava a encantar o público com suas primeiras exibições. Localizado na tradicional Rua Direita, o equipamento rapidamente se tornou ponto de encontro da sociedade goianense, que se reunia para vivenciar a novidade das projeções cinematográficas e apresentações artísticas.
Ao longo de sua trajetória, o local passou por diferentes denominações, sendo inicialmente conhecido como Cine Nacar e posteriormente Cine Rex, até consolidar-se como Cine-Teatro Polytheama — nome de origem grega que remete à ideia de “múltiplos espetáculos”, refletindo sua vocação para abrigar diversas expressões culturais.
Durante as primeiras décadas do século XX, o Polytheama viveu seu auge, sendo palco não apenas de exibições cinematográficas, mas também de importantes manifestações culturais locais. Em 1926, destacou-se ao exibir o filme Sangue de Irmão, produção realizada nos canaviais de Goiana e considerada uma das primeiras experiências cinematográficas da região, financiada pelo então proprietário Leonel Correia Filho.
Com o passar dos anos, assim como muitos cinemas de rua do Brasil, o espaço enfrentou um processo de declínio, encerrando suas atividades na década de 1980, período marcado pela mudança nos hábitos de consumo cultural e pela ascensão de novas tecnologias.
A retomada de sua importância aconteceu apenas décadas depois, quando o equipamento passou por um processo de restauração promovido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco. Reinaugurado no início dos anos 2010, o Cine-Teatro Polytheama voltou a funcionar como espaço cultural, com capacidade para aproximadamente 220 espectadores, reafirmando seu papel como palco das artes cênicas, musicais e audiovisuais da região.
Atualmente, o Polytheama segue como um marco da identidade cultural de Goiana, localizado na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, inserido no coração histórico da cidade. Mais do que um equipamento cultural, ele representa a resistência da memória coletiva e a continuidade das manifestações artísticas locais, sendo frequentemente utilizado para apresentações teatrais, eventos culturais e ações promovidas pelo poder público e pela comunidade artística.
Além disso, iniciativas recentes apontam para novos projetos de restauração e requalificação do espaço, reforçando sua relevância como um dos principais símbolos da cultura goianense e garantindo que sua história continue sendo vivida pelas futuras gerações
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